segunda-feira, julho 24, 2006

Conceito do Belo

O «belo em si» é unicamente uma palavra, não um conceito. No belo, o homem põe-se como medida da perfeição; em casos selectos, adora-se a si mesmo. Uma espécie não pode senão deste modo dizer sim apenas a si mesma. O seu instinto mais ínfimo, o de autoconservação e de auto-expansão, irradia ainda mais em tais sublimidades. O homem crê que o próprio mundo está repleto de beleza - esquece-se de si como causa de tal beleza. Unicamente a si se presenteou com a beleza, com uma beleza, ai, muito humana, demasiado humana... No fundo, o homem espelha-se nas coisas, considera belo tudo o que lhe devolve a sua imagem: o juízo «belo» é a vaidade da sua espécie... Ao céptico pode uma pequena suspeita sussurrar ao ouvido a pergunta: embeleza-se realmente o mundo por o homem o tomar como belo? Ele humanizou-o e é tudo. Mas nada, absolutamente nada nos garante que o homem proporcionasse realmente o modelo do belo.


in Crepúsculo dos Ídolos, Nietzsche

D.A.D.I.A.

Desordem da Atenção Deficitária na Idade Avançada
Recebi por mail, mas não resisto a publicar!



A todos que já passaram dos 40, um abraço.
E quem não passou não ria e tenha esperança, pois um dia vai chegar lá!

Para quem já passou dos 40 ou está com os mesmos sintomas, acabaram de descobrir o diagnóstico desta doença :


D.A.D.I.A.



Explico melhor:


1. Outro dia decidi lavar o carro: peguei nas chaves e fui em direcção à garagem, quando notei que tinha o correio em cima da mesa.
2. OK, vou lavar o carro, mas antes vou dar uma olhadinha, pois pode ter alguma coisa urgente.
3. Ponho as chaves do carro na escrivaninha ao lado e, olhando o correio vejo que tem algumas contas para pagar e muita propaganda inútil, pelo que decido deitá-la fora, mas vejo que o caixote está cheio.
4. Então lá vou esvaziá-lo. Coloco as contas sobre a escrivaninha, mas lembro-me que há um multibanco perto de casa e vou primeiro pagar as contas.
5. Coloco o caixote no chão, pego nas contas e vou em direcção à porta.
6. Onde está o cartão multibanco? No bolso do casaco que vesti ontem.
7. Ao passar pela mesa de jantar, olho para uma cerveja que estava a beber. Vou buscar o cartão, mas antes vou guardar a cerveja no frigorífico.
8. Vou em direcção à cozinha quando noto que a planta no vaso parece murcha, é melhor pôr-lhe água antes.
9. Coloco a cerveja no balcão da cozinha, quando... Ah! Achei os meus óculos! Estava à procura deles há horas! É melhor guardá-los já!
10. Pego num jarro, encho-o de água e vou em direcção ao vaso.
11. Deixaram o comando da televisão aqui em cima! À noite quando a quisermos ligar, ninguém se vai lembrar de procurar na cozinha. É melhor levá-lo já para a sala. Mas...
12. Ponho os óculos sobre a mesa e pego no comando.
13. Deito a água na planta, mas caiu um pouco no chão. Deixo o comando no sofá e vou buscar um pano.
14. Vou andando pelo corredor e penso que precisava de trocar a moldura deste quadro.
15. Estou a andar e já não sei o que é que ia fazer!!!.
16. Ah! Os óculos... Depois! Primeiro o pano. Pego nele.
17. Vou em direcção ao vaso, mas vejo o caixote do lixo cheio.
18. Final do dia: o carro continua por lavar, as contas não foram pagas, a cerveja lá está, quentinha, a planta levou só metade da água, não sei do multibanco, nem onde estão as chaves do carro!
19. Quando tento entender porque é que não fiz nada hoje, fico atónito, pois estive ocupado o dia inteiro!
20. Percebo que isto é uma coisa muito séria e que tenho que ir ao médico, mas antes, acho que vou ver o resto do correio...


E continua....


Divulguem esta mensagem para todos os vossos conhecidos, pois eu não me lembro para quem enviei!!!
Mas não me mandem outra vez para mim, pois posso reenviá-la novamente!.

Uma óptima semana.

E JÁ AGORA, UM BOM ANO, de 2004, 2005 ou será 2006?

sexta-feira, julho 21, 2006

Nós, os fracos, somos de facto fracos

Quando os oprimidos, os esmagados, os violentados, do fundo da sua astúcia vingativa, se põem a dizer: «Sejamos diferentes dos malvados! Sejamos, portanto, bons! Bom é aquele que não violenta, que não ofende ninguém, que não ataca, que não retalia, que entrega a vingança a Deus, aquele que, como nós, permanece na obscuridade, que evita o mal e que muito pouco exige da vida, como nós que somos pacientes, humildes e justos...», o que isto significa, observado friamente e sem preconceito, é afinal apenas o seguinte: «Nós, os fracos, somos de facto fracos; é bom que não façamos nenhuma daquelas coisas para as quais não somos suficientemente fortes...» Mas esta constatação crua, esta prudência da mais baixa ordem, que até os insectos mostram possuir (quando, em situações de maior perigo, se fingem mortos, para não fazerem nada «em demasia»), graças à falsificação e ao auto-engano que são próprios da impotência, mascarou-se com as roupagens pomposas da virtude que sabe renunciar e esperar em total quietude, como se a fraqueza do fraco — ou seja, afinal a sua essência, o seu modo de agir, a sua realidade única, inelutável, inalienável — fosse ela própria algo de livremente escolhido, algo resultante da vontade, um acto, um mérito. Esta espécie de homens, por via de um instinto de sobrevivência e de auto-afirmação que consegue santificar todas as mentiras, precisa da crença na liberdade de escolha de um sujeito neutro. É por isso que o sujeito (ou, em termos mais populares, a alma) é talvez o melhor dogma até hoje surgido no mundo, uma vez que veio abrir à multidão de mortais, de fracos e de oprimidos de toda a espécie a possibilidade de se enganarem a si próprios com a sublime mentira que interpreta a fraqueza como liberdade e o facto de serem assim como um mérito.



in Para a Genealogia da Moral, Friedrich Nietzsche

Fabricação dos Ideais

— Haverá alguém com vontade de mergulhar um pouco nos segredos da fabricação dos ideais? Quem tem coragem?... Pois bem! Eis uma perspectiva sobre essa oficina tenebrosa. O caro Sr. Curioso e Temerário fará o favor de esperar apenas um momento, para que os olhos se possam habituar a esta luz cintilante e falsa... Pronto! Já chega! Podeis falar agora! Que se passa lá em baixo? Dizei-me, vós, que sois homem da mais arriscada curiosidade, dizei-me o que vedes... Agora sou eu que escuto...
— Nada vejo, mas em compensação ouço muito bem. Ouço um murmúrio, gente que sussurra baixinho, por todos os cantos, com a prudência da traição. Quer-me parecer que é gente que mente: os sons têm todos uma brandura melíflua... Sim, sem dúvida... Querem fazer passar a fraqueza por um mérito! Tal como havíeis dito...!
— Mais!
— E querem fazer passar a impotência, incapaz de ripostar, por «bondade»; e a baixeza timorata por «humildade»; e a submissão aos odiados por «obediência» (obediência sobretudo a alguém que dizem que lhes ordena a submissão e a quem chamam «Deus»). E a inofensividade do fraco, a própria cobardia em que ele é pródigo, aquele seu hábito incontornável de ficar à porta, de ter que esperar, tudo isso recebe aqui nomes positivos, por exemplo, «paciência». Chamam-lhe mesmo «a virtude»! O não-poder-vingar-se chama-se «não-querer-vingar-se», talvez mesmo «perdão» («porque eles não sabem o que fazem*... só nós sabemos o que eles fazem!»). E falam também de «amor para com os inimigos»**... E transpiram quando falam nisso...
— Mais!
— São miseráveis, sem dúvida, estes moedeiros falsos, sempre a segredar pelos cantos..., miseráveis, por muito que se aqueçam uns aos outros, de tão juntos que se acocoram... Mas dizem-me agora que a sua miséria é o sinal de que foram escolhidos, eleitos por Deus, porque dá-se mais pancada aos cães de que mais se gosta... E que esta sua miséria talvez seja uma preparação, uma prova, uma aprendizagem, ou talvez ainda mais... uma experiência que terá um dia a sua recompensa com juros enormes, uma retribuição em ouro... Não! Em felicidade! E a isto chamam «bem-aventurança».
— Mais!
— Agora querem dar-me a entender que, não só são melhores do que os poderosos, do que os senhores do mundo que eles têm de bajular (não por medo, de modo algum!... apenas porque Deus manda honrar as autoridades), mas que também «estão melhor servidos», ou que pelo menos um dia estarão melhor servidos... Mas já me chega! Chega! Já não aguento! Este ar pestilento! Este cheiro! Sinto que toda esta oficina em que se fabricam ideais cheira a podre, a podridão da mentira completa!
— Não! Um momento mais! Nada me haveis dito ainda sobre a obra-prima destes prestidigitadores, que é a capacidade de transformarem tudo o que é negro em branco, em leite, em inocência... Não haveis notado a perfeição que atingem, o refinamento de que são capazes, aquela arte de manipulação da mais elevada ousadia, delicadeza, espirituosidade e da mais profunda mentira? Tomai atenção! Estes animais subterrâneos, cheios de ódio e de desejo de vingança, que fazem eles precisamente com esse ódio e essa sede de vingança? Haveis-Ihes ouvido tais palavras? Se confiásseis nas palavras que dizem, suspeitaríeis que estivésseis perante homens do mais completo ressentimento?
— Estou a perceber. Vou abrir de novo os ouvidos (mas, ai, ai, o nariz não abro). Só agora ouço o que eles já repetiram tantas vezes: «Nós, os bons... nós somos os justos.» E o que eles exigem, não lhe chamam «desforra» chamam-lhe «triunfo da justiça». E o que eles odeiam não é o inimigo, não, dizem antes que odeiam a «injustiça», a «impiedade». E aquilo em que acreditam, em que depositam as suas esperanças, não é desejo de vingança, não é a embriaguez deliciosa da vingança («mais doce do que o mel», já dela dizia Homero***), chamarn-lhe antes o «triunfo de Deus», do Deus da justiça sobre os infiéis. E o que lhes resta amar neste mundo não são os que com eles se irmanam no ódio, dizem que são pelo contrário os seus «irmãos no amor», todos «os bons e justos do mundo».
— E que nome dão àquilo que lhes serve de consolação para todos os sofrimentos da vida... essa fantasmagoria que antecipa uma beatitude futura?
— Como? Será que ouço bem? Chamam-lhe o «último juízo», dizem que será a vinda do seu reino, do «reino de Deus»..., e que, até lá, vivem «na fé», «no amor», «na esperança».
— Basta! Basta!



* Lucas: 23, 34
** Mateus: 5, 44
*** Homero, Ilíada, 18, 109

in Para a Genealogia da Moral, Friedrich Nietzsche

quinta-feira, julho 20, 2006

Elogio ao amor - Miguel Esteves Cardoso

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio,não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

quinta-feira, julho 13, 2006

If You're Not The One - Daniel Bedingfield

Music Video Codes by VideoCure.com


If You're Not The One

If you’re not the one then why does my soul feel glad today?
If you’re not the one then why does my hand fit yours this way?
If you are not mine then why does your heart return my call
If you are not mine would I have the strength to stand at all

I never know what the future brings
But I know you are here with me now
We’ll make it through
And I hope you are the one I share my life with

I don’t want to run away but I can’t take it, I don’tunderstand
If I’m not made for you then why does my heart tell me that Iam?
Is there any way that I can stay in your arms?

If I don’t need you then why am I crying on my bed?
If I don’t need you then why does your name resound in my head?
If you’re not for me then why does this distance maim my life?
If you’re not for me then why do I dream of you as my wife?

I don’t know why you’re so far away
But I know that this much is true
We’ll make it through
And I hope you are the one I share my life with
And I wish that you could be the one I die with
And I pray in you’re the one I build my home with
I hope I love you all my life

I don’t want to run away but I can’t take it, I don’tunderstand
If I’m not made for you then why does my heart tell me that Iam
Is there any way that I can stay in your arms?

‘Cause I miss you, body and soul so strong that it takes mybreath away
And I breathe you into my heart and pray for the strength tostand today
‘Cause I love you, whether it’s wrong or right
And though I can’t be with you tonight
And know my heart is by your side

I don’t want to run away but I can’t take it, I don’tunderstand
If I’m not made for you then why does my heart tell me that Iam
Is there any way that I

Pensamento

Caminha serenamente por entre a agitação e a pressa e lembra-te da paz que pode haver no silêncio.
Sem seres subserviente, tanto quanto possível, dá-te bem com todos. Diz a tua verdade com calma e clareza e escuta com atenção os outros, mesmo os maçadores e os ignorantes. Também eles têm a sua história.
Evita pessoas barulhentas e agressivas, pois elas molestam o espírito.
Se te comparares com os outros, poderás tornar-te vaidoso(a) ou melancólico(a), porque haverá sempre pessoas superiores e inferiores a ti. Apraz-te com as tuas realizações, assim como os teus planos.
Põe todo o interesse na tua profissão por mais humilde que seja. Ela é algo que permanece nos altos e baixos da vida.
Sê prudente nos teus projectos, porque o mundo está cheio de astúcia. Mas não deixes que isso te impeça de ver a virtude onde ela existe, muitas pessoas lutam por ideias elevadas e em toda a parte a vida está cheia de heroísmo.
Sê tu próprio(a). Não simules afeição, nem sejas cínico(a) em relação ao amor, porque acima de toda a avidez e desencanto, ele é eterno como as ervas.
Toma amavelmente o conselho dos mais idosos, renunciando com graciosidade às ideias da juventude.
Fortalece o teu espírito para que te proteja na desgraça inesperada, mas não te angusties com fantasias.
Muitos receios surgem da fadiga e da solidão. Para além de uma disciplina salutar, sê gentil contigo mesmo(a).
Tal como as arvores e as estrelas, és filho(a) do Universo e tens direito de estar aqui. E quer compreendas ou não, sem dúvida, que o Universo é-te disto revelador. Por isso, procura estar em paz com Deus qualquer que seja a ideia que Dele tenhas.
E quaisquer que sejam as tuas lutas e aspirações, na confusão barulhenta da vida, mantém-te em paz com a tua consciência.
Com a sua falsidade, escravidão e sonhos desfeitos, este é ainda um mundo maravilhoso.
Sê cauteloso(a) e luta pela tua FELICIDADE.

segunda-feira, julho 10, 2006

Fica! Fica! Fica! Fica!

Apelo

Dez mil adeptos homenagearam ontem, no Jamor, a comitiva lusa que regressou da Alemanha. O nome mais gritado foi o de Scolari, a quem os portugueses pediram para renovar.

Domingo à tarde, muito sol e temperaturas acima dos 30º. Os ingredientes ideais para um excelente dia de praia. No entanto, pelo menos dez mil pessoas escolheram outro destino, o Estádio Nacional. A razão? Prestar uma sentida homenagem à comitiva da selecção portuguesa que ontem regressou da Alemanha, depois de alcançar o 4.º lugar no Mundial. Figo, Cristiano Ronaldo e Ricardo foram dos mais ovacionados, mas a histeria completa foi destinada a um brasileiro: Luiz Felipe Scolari.

O seleccionador foi o primeiro a sair do túnel de acesso ao relvado do Jamor, recebendo a primeira grande explosão das milhares de pessoas presentes na bancada central. Notava-se a emoção do treinador, os olhos brilhavam, e ‘pior’ ficou quando o animador de serviço lhe passou o microfone para que o técnico brasileiro pudesse fazer o seu discurso de agradecimento.

“Oi pessoal”, foi a primeira frase que saiu da boca do técnico e logo aí os adeptos fizeram nova ovação ao seleccionador gritando ‘fica, fica, fica!’, numa atitude clara de que querem continuar a ver ‘Felipão’ a comandar a equipa das quinas. E Scolari, à Imprensa, também não escondeu que o seu desejo é ficar.

“Estou muito feliz com esta manifestação. É sempre importante ser acarinhado pela população. E eu quero ficar, todos sabem. Gosto de Portugal, sinto-me bem e tenho um bom grupo. Agora é uma situação a ser estudada, a partir de quarta ou quinta-feira vamos falar. Até agora tínhamos de pensar no Mundial, foi isso que o presidente me pediu e foi o que fiz. A partir de amanhã podemos pensar noutras coisas”, referiu o treinador brasileiro ainda no Jamor.

Já no Hotel Amazónia, Scolari voltou a repetir o mesmo discurso, voltou a ouvir o apelo dos adeptos, mas o seu pensamento, naquele momento, estava com a sua família, que o foi buscar. Dali partiram rumo a Cascais, para a casa do seleccionador.


OS DISCURSOS

FIGO

"Há sensivelmente um mês estivemos aqui, antes de partir para o Mundial, para agradecer o apoio. Hoje (ontem) voltamos com sentimento de orgulho por ser portugueses. Com um sentimento de agradecimento a todos os portugueses que acreditaram em nós, que nos apoiaram e acarinharam.

Logicamente, gostaríamos de ter trazido a Taça para casa, mas infelizmente não conseguimos. Estamos orgulhosos de sermos portugueses, do País que representamos e, mais uma vez, deixo o agradecimento por todo o apoio e carinho que demonstraram. Força Portugal."


SCOLARI

"Obrigado pelo carinho que demonstraram durante todo o torneio e até antes da nossa viagem. Como disse o Figo, gostaríamos de estar aqui com a Taça na mão, a oferecer-vos mais do que aquilo que estão recebendo neste momento. Sabemos que ainda vos devemos alguma coisa. Vocês são campeões em carinho, em sentimento e em dar-nos tudo o que precisamos.

Orgulhem-se do quarto lugar e dos jogadores que vocês têm, porque eles tudo fizeram para vencer. Os jogadores vão crescer no futuro e quem sabe numa próxima vez poderemos aspirar a algo mais que o quarto lugar, como o segundo ou até o primeiro."
Gonçalo Lopes/João Tavares
in Correio da Manhã

Itália é campeã do mundo

Mundial 2006:
Itália - França, 1-1 (5-3 penáltis)
A Itália conquistou o título de campeã do mundo de futebol ao bater a França, por 5-3, no desempate por grandes penalidades da final do Mundial 2006 disputada, esta noite, no Estádio Olímpico de Berlim. A 'squadra azzurra' conquista assim a quarta final da história dos mundiais.


Um golo de Zidane colocou a França em vantagem na primeira parte da final do Mundial, corriam apenas os sete minutos de jogo. Mas a Itália, através de Marco Materazzi, fez a igualdade aos 19 minutos do encontro. O resultado manteve-se 1-1 durante o jogo em que a força de ambas as selecções esteve equilibrada. O encontro seguiu para o prolongamento, que terminou sem alterações no resultado e que ficou marcado pela expulsão de Zidane, já na segunda parte (108’), depois de o jogador francês dar uma forte cabeçada no peito de Materazzi, que ficou estendido no relvado. O árbitro Horácio Elizondo mostrou o cartão vermelho a Zidane depois de recolher informação junto dos seus auxiliares.

Com o empate 1-1 no fim do prolongamento, Itália e França acabaram por definir o título mundial com a marcação das grandes penalidades, com o resultado final a estabelecer-se nos 5-3.

FICHA DE JOGO:

Local: Estádio Olímpico de Berlim

Árbitro: Horacio Elizondo (Argentina)

ITÁLIA: Buffon; Zambrotta, Cannavaro, Materazzi e Grosso; Camoranesi, Pirlo, Gattuso e Perrota; Totti e Luca Toni. Seleccionador: Marcello Lippi

FRANÇA: Barthez; Sagnol, Thuram, Gallas e Abidal; Ribéry, Vieira, Makelele e Zidane; Malouda e Henry. Seleccionador: Raymond Domenech

Golos marcados: 1-1 (Materazzi 19'); 0-1 (Zidane ,g.p. 7'), 5-3 g.p.

Um quarto sem vista para os golos

Alemanha 3 - 1 Portugal


Portugal perdeu 3-1 com a Alemanha e se não acaba este Mundial admirado pelo seu bom jogo ontem não fez pior do que a média; os tiros de Schweinsteiger e um grande Kahn foram decisivos para que o terceiro lugar saísse à casa.

Foi pior o resultado do que a exibição, desta vez Portugal ficou apenas no quarto lugar do Mundial, ao perder por 3-1 com a Alemanha, em Estugarda.

Se Portugal não sai da prova conhecido pelo seu bom jogo – a filosofia do meio-a-zero... –, ontem, reconheça-se, não jogou pior do que a média e morreu com três tiros de fora da área, o primeiro numa falha de Ricardo e no segundo com um desvio para a própria baliza de Petit. Acresce que os dois primeiros golos aconteceram em cinco minutos (entre os 56’ e os 61’), quando a equipa até se podia ter adiantado no marcador deu uma nota de peso excessivo ao resultado final. O terceiro golo é um tiro monumental de Schweinsteiger, também de fora da área – Costinha, que não estava a jogar bem, saíra ao intervalo para entrar Petit.

Nuno Gomes reduziu já aos 87’ – primeiro golo de cabeça – num cruzamento de Figo da direita para o segundo poste, onde o jogador do Benfica apareceu muito bem. Um golo trabalhado por dois jogadores vindos do banco, porque Figo também não foi titular: para além de Ricardo Carvalho e Miguel – substituídos por Paulo Ferreira e pelo estreante Ricardo Costa – Scolari também deixou o jogador do Inter até aos 76’ no banco, altura em que substituiu Pauleta com 2-0 no marcador. A Alemanha mudou a defesa, a começar pelo guarda-redes, já que Kahn teve direito a um joguinho pelo seu bom comportamento. E esteve absolutamente impecável o velho guarda-redes (37 anos) que também ajudou a fazer a diferença ontem. Só foi batido quando não teve hipóteses.

Um jogo relativamente aberto para o que foi este Mundial, em que toda a gente joga à zona e em bloco. juntinhos, para correr riscos mínimos. Mas obviamente não tinha a tensão de todos os outros jogos em que a vida dependia daqueles 90 ou 120 minutos.

Na primeira parte, Portugal teve muitas dificuldades na defesa, concendendo muitos livres – demasiados – perto da área, mas Ricardo resolveu os problemas sem dificuldades de maior. Percebia-se que aqueles dois centrais tinham dificuldades perante dois pontas-de-lança, mas apesar de tudo dentro da área nunca entraram. Já no ataque, a Selecção teve duas grandes oportunidades: primeiro por Pauleta, isolado sobre a esquerda por Simão, mas o ponta-de-lança rematou de forma a permitir a defesa de Kahn; depois num canto de Deco, em que Simão não conseguiu cabecear apesar de estar em óptima posição e de estar desmarcado. Mas a verdade é que Portugal não marcou um golo de canto ou livre neste Mundial. Pior ainda, nos últimos três jogos, quanto a golos foram precisos 364 minutos para fazer um só e quando já perdíamos por 3-0. E uma equipa que tem Deco, Simão, Figo e Cristiano Ronaldo tem obrigação de marcar golos em qualquer jogo. Não marcar devia ser uma excepção.

Na segunda parte, antes e no meio dos golos alemães, Portugal criou jogo para marcar, mas só o conseguiu quando já não tinha hipóteses de recuperar. Jogou alguns minutos com dois pontas-de-lança (Pauleta-Nuno Gomes), mas Scolari rapidamente desfez isso, tirando o açoriano. Foi injusto o resultado, mas compreensível.

O árbitro japonês esteve longe de mostrar um nível mundial. Ficou a ideia de que houve um penálti cometido por Nuno Valente, que desviou com o braço um tiro de Kehl, mas também Cristiano Ronaldo foi derrubado por Metzelder na área sem qualquer castigo.


O MOMENTO DO JOGO: BOMBA DE SCHWEINSTEIGER

O endiabrado Schweinsteiger já tinha ensaiado a jogada: vir da esquerda para o centro do terreno e aplicar o seu remate forte. Desta vez tudo deu certo e o médio acabou com a resistência lusa, inaugurando o marcador. No lance, Ricardo parece mal batido e fica a queixar-se da estranha trajectória que a bola tomou. Mas nada havia a fazer. A Alemanha deu aqui um passo decisivo para a conquista do 3.º lugar.

FILME DO JOGO

1ª PARTE

6' - Ataque rápido da Alemanha a aproveitar falha de Nuno Valente. Já na área, Klose remata às malhas laterais

15' - Grande passe de Simão a isolar Pauleta. O açoriano, na área, com todo o espaço do mundo, não consegue bater Kahn. Remate defeituoso

20' - À entrada da área portuguesa, Kehl tenta o chapéu a Ricardo. O guardião português faz uma espectacular defesa para canto

25' - Podolski, eleito pela FIFA o jogador revelação do Mundial, bate um livre fortíssimo para mais uma grande defesa

de Ricardo

36' - Canto na esquerda do ataque português, marcado por Deco. Na pequena área, Simão falha o cabeceamento por milímetros

- Termina a primeira parte em Estugarda com Portugal e Alemanha empatados a zero. Maior posse de bola para

a selecção portuguesa

2ª PARTE

56' - A Alemanha ganha vantagem no marcador, num forte remate de Schweinsteiger de fora da área. Ricardo é mal batido

61' - Os alemães chegam ao 2-0. Remate forte de Schweinsteiger na marcação de um livre que Petit desvia para o fundo da baliza

63' - Portugal tenta reduzir a desvantagem. Deco rompe pela área alemã e atira a meia altura junto ao poste direito. Kahn faz a defesa da noite

76' - Nova ‘bomba’ de Schweinsteiger de fora da área, sem hipóteses para Ricardo. O médio é substituído logo a seguir e recebe ovação estrondosa

67' - Dois suplentes constroem golo de Porrtugal. O lance começa num cruzamento perfeito de Figo para a emenda de cabeça de Nuno Gomes

- Portugal esbarra numa noite de grande inspiração de Schweinsteiger e perde por 3-1. Golo de Nuno Gomes já veio tarde

FICHA DE JOGO:

Local: Gottlieb-Daimler Stadium, em Estugarda

Árbitro: Toru Kamikawa (Japão)

ALEMANHA: Oliver Kahn; Phillip Lahm, Robert Huth, Metzelder e Jansen; Kehl, Schneider, Frings e Schweinsteiger (Hitzlsperger, 79'); Klose (Neuville 64') e Podolski (Hanke, 70'). Treinador: Jurgen Klinsmann

PORTUGAL: Ricardo; Paulo Ferreira, Ricardo Costa, Fernando Meira e Nuno Valente (Nuno Gomes, 69'); Costinha (Petit, 45') e Maniche; Cristiano Ronaldo, Deco e Simão; Pauleta (Figo 77'). Treinador: Luiz Felipe Scolari

Golos marcados: 1-0, Schweinsteiger (56'), 2-0, Petit ( 61' p.b.), 3-0, Schweinsteiger (78'), 3-1, Nuno Gomes (88')

Acção disciplinar: Amarelos, Paulo ferreira, 60', Costinha, 32', Ricardo Costa, 24', Frings, 7', Schweinsteiger (78').


Manuel Queiroz
in Correio da Manhã

Portugal joga para o Mundo


Falta de brilho na realização não afasta espectadores.


A selecção nacional e Luiz Felipe Scolari captaram as atenções das televisões internacionais com as suas prestações na competição mais importante do futebol. De Portugal ao Japão, passando pelo Brasil e pela Alemanha, os resultados das audiências não param de surpreender e confirmam o Mundial da Alemanha como o mais mediático de sempre – o valor avançado antes do início da competição para a audiência acumulada era de 33 mil milhões de espectadores em todo o planeta.

Isto apesar de as vozes mais críticas reclamarem com a pouca inovação nas transmissões em directo e com a censura imposta pela FIFA. As objecções são compensadas, no entanto, com a qualidade das imagens difundidas e a paixão que o torneio desperta. Em Portugal, a cobertura do evento também divide opiniões. Tanto em relação à cobertura noticiosa feita pelos principais canais generalistas como em relação às transmissões dos jogos, a cargo da SIC e da Sport TV.

Quando ainda estão por apurar os vencedores dos dois jogos decisivos – que acontecem este fim-de-semana (amanhã, dia 8, tem lugar o encontro de apuramento para os terceiro e quarto lugares e domingo, dia 9, disputa-se a final) –, a única certeza é que o jogo em que Portugal participa será o tema mais focado nas estações de televisão nacionais. E, se a meia-final contra a França deixava antever resultados excepcionais a nível de audiências televisivas, a projecção para o jogo decisivo do evento não pode ser inferior.

Os dados comprovam-no. Portugal é o país cuja população mais segue a sua selecção, sendo ultrapassado apenas pela Holanda. Em termos globais, o Brasil é o país que cativa mais audiências televisivas. O jogo entre Brasil e Croácia foi o mais visto durante as primeiras fases do Campeonato, com 124 milhões de telespectadores em 53 países.

Outro dado que merece ser salientado neste Mundial é a explosão de novos meios ao dispor dos telespectadores para acompanhar a par e passo todos os pormenores da sua equipa favorita. Da internet aos telemóveis, uma panóplia de aplicações criaram novas formas de ver jogos, resumos e golos em quase qualquer parte do globo, e prometem gerar receitas para os operadores superiores a 200 milhões de euros.


COBERTURA NOTICIOSA

“As transmissões dos jogos têm sido razoáveis”, apesar de, por vezes, “os comentadores defenderem em demasia a selecção portuguesa”, diz o crítico Fernando Sobral. Em sua opinião, o pior tem sido a cobertura noticiosa. “A maior parte das reportagens tem focado coisas sem sentido. O programa da RTP, por exemplo, tem esticado, esticado, esticado.” No entanto, Fernando Sobral ressalva a diferença de estilos entre os canais.

“A TVI tem feito uma cobertura suficientemente sóbria em termos informativos, mas continua a preferir apostar nas suas novelas. A RTP, com meios do outro mundo, tem esticado em demasia com coisas que não acrescentam nada. A SIC joga com o que tem, os jogos, e tem-no feito bem”, defende.


GOBERN ELOGIA SPORT TV

A qualidade das transmissões em directo é o maior destaque que o também crítico João Gobern retira do evento. “As transmissões têm sido, em média, bastante boas. E até trouxeram alguma inovação. Há repetições e câmaras multi-ângulos que eu ainda não tinha visto. Nesse aspecto, o único senão é a ausência das repetições dos lances polémicos. Até compreendo essa restrição, apesar de achar que provoca um alheamento da realidade.”

A crítica de Gobern vai então para a cobertura realizada pelas estações portuguesas. “Faz-me confusão que, em torno de algo tão simples como o futebol, se faça tanta festa e romaria. Principalmente quando são as televisões a provocar a festa. Quando a festa não é espontânea isso nota-se. Por outro lado, parece claro que há demasiado tempo – e o tempo em televisão é precioso – entregue ao debate, ao comentário, aos pormenores que não interessam. Torna-se fastidioso. É tudo muito longo. O melhor mesmo têm sido as transmissões dos jogos.”

Para o crítico televisivo, o melhor do Mundial tem sido o trabalho realizado pela Sport TV, a única estação a transmitir os 64 jogos do Mundial 2006. “Ressalvando que é um canal dedicado em exclusivo ao desporto, tanto a nível de reportagem lateral como na análise, tem tido uma estratégia inteligente. E está muito bem servida de jornalistas e comentadores. No entanto, considero também que alguns dos melhores comentários aos jogos têm sido os do Humberto Coelho, na SIC”, conclui.


MUNDIAL RECORDISTA DE AUDIÊNCIAS

Ideia diferente têm os realizadores de televisão das estações portuguesas. Para Ricardo Espírito Santo, da SIC, a realização das transmissões dos jogos deste Mundial “não tem sido brilhante”. Atento às potencialidades do espectáculo, defende que “não há mais nenhum evento como o Mundial que permita fazer transmissões tão espectaculares”. “Mas acho que neste campeonato as repetições são muito poucas.

Nesse ponto de vista, a realização falhou”, considera. “Não compreendo como é que, com o dispositivo técnico que eles têm, com 16 pessoas só para as repetições e para os ‘slow motion’ – normalmente eu faço isso com quatro pessoas –, nos lances mais vistosos só se vê uma repetição. Tem de haver ângulos mais espectaculares. Os lances de perigo não são retratados”, reitera Ricardo Espírito Santo, o realizador que registou em directo a morte do ponta-de-lança Miklos Fehér no jogo Guimarães-Benfica.

Em sentido contrário vai a opinião de Rogério Borges. O realizador da RTP considera que o trabalho dos seus colegas da HBS (Host Broadcasting Service, empresa responsável pela recolha e difusão de todas as imagens relativas aos jogos desde o Mundial de França) “tem sido bom, apesar de faltar inovação”. “A HBS inovou em 1998 com a introdução do ‘super slow motion’. Agora, tal como na Coreia e no Japão, apenas modificou o alinhamento das câmaras”, constata.

Numa análise à cobertura total do evento, Rogério Borges admite: “Não considero nada extraordinariamente negativo, mas julgo que falta ambiência do público. Podiam ser mais arrojados e dar melhor uso às novas tecnologias, nomeadamente a utilização de elementos virtuais como a distância da barreira na marcação dos livres.”

Este Mundial 2006 é um verdadeiro recordista de audiências. Segundo os dados divulgados pela Initiative Media, empresa de audimetria sediada em Nova Iorque (Estados Unidos), os países que disputaram o campeonato registaram grandes subidas de número de telespectadores. Nos dias em que as selecções nacionais jogaram, as audiências sofreram acréscimos de 196% face ao registado no Mundial da Coreia e Japão em 2002. Para estes números também contribuiu em grande parte o facto de os jogos serem disputados em horários mais favoráveis para o mundo ocidental.

Nos Estados Unidos, onde o futebol está em expansão, a média de telespectadores que acompanhou a equipa norte-americana subiu 52%. No entanto, neste país, os jogos mais vistos foram os das selecções do Brasil, Itália e México. A excepção a esta subida regista-se na região Ásia/Pacífico. A diferença horária levou a uma quebra de 80% na audiência das transmissões em directo, com declínios acentuados na China e na Malásia.

Curiosamente, na Austrália, cuja selecção se qualificou para o Mundial 2006, a transmissão dos jogos foi menos vista do que em 2002, quando a equipa do país ficou de fora do campeonato.


'SHARES' NA EUROPA

SIC É NÚMERO 2

Até às meias-finais, a transmissão do Inglaterra-Portugal, feita pela SIC, registou o segundo maior ‘share’ (88,1%) de todas as emissões de jogos do Mundial na Europa. O primeiro lugar pertence à Holanda, com 89,4%, conseguido no jogo com a Sérvia (canal NED2).

A Holanda, aliás, voltou a ter um grande resultado na transmissão do encontro entre a sua selecção e a da Costa do Marfim (86,6%), o terceiro maior ‘share’ da tabela.


MUNDIAL NO TELEMÓVEL

Operadores de telemóveis estão a usar o Mundial da Alemanha para cativar o interesse dos seus clientes em ver televisão através do telemóvel. Um relatório da Informa prevê, além de receitas acrescidas, que 210 milhões de pessoas vão ver televisão no telemóvel em 2011.

FIFA CENSURA IMAGENS

CASOS QUE (NÃO) SE VIRAM

Ainda antes de o Campeonato do Mundo ter começado, a FIFA impôs aos responsáveis pela cobertura televisiva, a HBS, que não exibissem imagens de violência, invasões de campo e lances duvidosos. A medida teve, porém, efeitos nefastos. Exemplo disso é a suspensão do alemão Thorsten Frings por dois jogos por agressão a um jogador argentino. Aconteceu, mas ninguém viu.

FOTÓGRAFOS REALISTAS

O veto da FIFA a imagens que poderiam motivar a repetição de comportamentos menos dignos não foi aplicado aos fotógrafos. Só assim foi possível ver uma adepta invadir o treino do Brasil e abraçar Ronaldinho ou um croata invadir o campo no jogo da sua selecção contra o ‘escrete’.



NÚMEROS DO MUNDIAL

ENTUSIASMO ESMORECE

O jogo decisivo – com Portugal – foi o terceiro mais visto.

EMPENHO VAI SUBINDO

Encontro que mais espectáculo prometia ficou em segundo lugar.

INTERESSE MODERADO

A maior audiência ocorreu no jogo que ditou a saída da competição.

NÚMEROS

240 milhões de euros - Valor estimado das receitas dos 'downloads' para 2006

25 - Total de câmaras

750 Km - Cabo de áudio / vídeo

25 - Microfones de som ambiente

2200 - Horas de conteúdos


in Correio da Manhã

quinta-feira, julho 06, 2006

Derrota Portuguesa - Foi outra vez num penálti de Zidane


A história repetiu-se, o golo decisivo também, desta vez sem tragédias – a França só jogou o necessário, Portugal tentou o que pôde mas só pode igualar os ‘Magriços’ de Eusébio.


Outra vez um penálti de Zidane e outra vez Portugal a cair na meia-final com a França. 1-0 em Munique e aos portugueses resta a final dos inconsoláveis para o terceiro lugar, no sábado, com a Alemanha. Podem igualar os ‘Magriços’, a democracia pode igualar a ditadura no futebol, mas não temos, de facto, nenhum Eusébio.

Desta vez, os velhos franceses não roubaram nada: o penálti existiu e, se a França não jogou tão bem como frente ao Brasil, isso só pode querer dizer que a Selecção de Scolari não fez o suficiente para ganhar. Não foi capaz de o fazer, mas tudo se decidiu por muito pouco. Um penálti – Ricardo Carvalho sobre Henry –, nem sequer daqueles inevitáveis, fez toda a diferença num jogo equilibrado, em que Portugal mostrou todos os seus limites. Sobretudo no ataque – as nossas santas são todas para defender, parece.

Entraram as duas equipas titulares de um lado e de outro, sem surpresas, mas Portugal começou melhor, num ritmo alto e a dominar o primeiro quarto de hora. Um tiro de Deco à entrada da área criou muitas dificuldades a Barthez, que defendeu para a frente, mas Thuram impediu Pauleta de fazer a recarga. Deco perdeu ainda um passe de morte para Pauleta e o ponta-de-lança também chegou atrasado a um cruzamento de Figo, tudo nos dez minutos iniciais.

O jogo estava relativamente aberto para uma meia-final, mas Costinha só tinha olhos para Zidane, Carvalho e Meira dividiam-se com Henry. Do outro lado, Deco enfrentava-se com Makelele e Maniche tinha mais espaço porque Vieira era um dos dois ou três que fechava sobre Cristiano Ronaldo. Já Thuram, sobretudo, não perdia Pauleta de vista.

O segundo quarto de hora foi equilibrado e depois houve a jogada fatal: Henry com a bola à entrada da área, de costas, ameaçou rodar para um lado e foi para o outro, e Ricardo Carvalho derrubou-o com o pé, sem necessidade, porque se calhar Henry nem ficava com a bola. O penálti foi transformado por Zidane, que não correu riscos: sem tomar balanço, chutou seco para a direita de Ricardo, que adivinhou o lado, mas um penálti bem marcado não tem defesa.

Daí até ao fim da primeira parte, a bola foi de Portugal, que teve quatro remates com perigo mas sempre de fora da área. Ameaços, mas não verdadeiras oportunidades de golo. A França, depois do golo, nunca mais teve mais de três jogadores no meio-campo adversário, a não ser em cantos ou livres. Há outras maneiras de gerir o jogo, mas não com tantos homens de 30 anos e mais.

Houve ainda um lance em que os portugueses pediram o castigo máximo, num centro de Figo em que Ronaldo cai ao fazer-se à bola – há um ligeiro toque de Sagnol, mas parece venial e o árbitro Larrionda não atende aos protestos dos portugueses. Protestaram demasiado, muitas vezes pedindo faltas inexistentes em absoluto, os jogadores de Scolari. Mas era preciso jogar mais para demolir aquela rocha francesa.

A França reentrou melhor após o intervalo, e Henry e Ribery tiveram remates perigosos antes de passarem cinco minutos – Ricardo esteve lá de ambas as vezes. Pauleta respondeu logo a seguir com um remate às redes laterais na área à meia-volta e a partir daí a França remeteu-se ainda mais a uma gestão da vantagem. Não precisava da bola, nem a queria muitas vezes. Limitava-se a defender cá atrás e a esperar uma aberta para Henry correr. Não teve muitas, diga-se. Se Portugal dominava o jogo, a verdade é que a França o controlava. Não era a França do jogo com o Brasil, era uma equipa mais modesta, que se impôs menos, mas igualmente eficaz.

Miguel lesionou-se e entrou Paulo Ferreira, Pauleta deu o lugar a Simão, Wiltord entrou em vez de Malouda, Govou trocou com Ribery, Postiga com Costinha – tudo dos 62’ aos 74’.

Portugal teve uma boa oportunidade para o empate, uma só na hora que se seguiu ao golo: um livre a 25 metros da baliza que Cristiano Ronaldo marcou, Barthez tentou agarrar mas a bola fugiu-lhe para a frente e Figo, de cabeça, atirou por cima. Meira ainda foi para a frente, ainda teve um remate perigoso, mas a história, afinal, repete-se, embora desta vez sem tragédias.

PONTAS DE LANÇA

Da maneira que joga Portugal, era preciso um ponta-de-lança alto, forte, rápido. Tudo o que Pauleta não é (e o seu primeiro toque também não é bom). Postiga e Nuno Gomes também não dão para isso. Não se pode ter tudo...

O MOMENTO DO JOGO

PENÁLTI DE ZIDANE DITA DERROTA PORTUGUESA

Tal como na meia-final do Euro’2000, Zinedine Zidane voltou a dar a vitória à França sobre Portugal de grande penalidade. Se no Euro’2000 a alegada mão de Abel Xavier gerou imensa discussão, desta vez a falta de Ricardo Carvalho sobre Thierry Henry foi clara. Chamado a bater o penálti, o veterano Zidane mostrou a frieza dos grandes craques e bateu Ricardo, apesar de o guardião português ter adivinhado para que lado foi a bola.

FICHA DO JOGO

Local: Estádio do Mundial, em Munique.

(8.500 espectadores)

Árbitro: Jorge Larrionda (Uruguai).

PORTUGAL: Ricardo, Miguel (Paulo Ferreira, 62m), Fernando Meira, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Costinha (Hélder Postiga, 75m), Maniche, Deco, Figo, Cristiano Ronaldo e Pauleta (Simão, 68m).

FRANÇA: Fabien Barthez, Willy Sagnol, Lilian Thuram, William Gallas, Eric Abdial, Claude Makelele, Patrick Vieira, Zinedine Zidane, Franck Ribery (Sidney Govou, 72m), Florent Malouda (Sylvain Wiltord, 69m) e Thierry Henry (Louis Saha, 85m).

Marcador: 0-1, Zinedine Zidane (33m, de g.p).

Acção disciplinar: Amarelos - Ricardo Carvalho (82m) e Louis Saha (87m).

UMA DERROTA DOIS ANOS DEPOIS

Portugal perdeu o primeiro jogo competitivo desde a final do Europeu, em Lisboa, a 4 de Julho de 2004. Dois anos e um dia depois da derrota com a Grécia, a equipa de Scolari cedeu novamente pelo mesmo resultado (0-1) e viu-se assim privada de disputar a segunda final consecutiva, bem como do título oficioso de selecção mundial há mais tempo sem perder em desafios de competição. A série portuguesa tinha já 17 jogos: os 12 do apuramento para o Mundial e os cinco feitos até ontem no Mundial propriamente dito.

Se contarmos todos os jogos, incluindo os particulares, Portugal não perdia desde 9 de Fevereiro de 2005, quando cedeu em Dublin ante a República da Irlanda, também por 1-0, em partida amigável. Desde então, sucederam-se 19 jogos sem perder até ao penálti de Zidane que ontem afastou a selecção nacional da final de Berlim. Novamente uma grande penalidade, marcada pelo mesmo jogador que já havia retirado a Portugal a hipótese de jogar a final do Europeu 2000, passando na altura o resultado final para 2-1 favorável à França, que seguiu para a partida decisiva com a... Itália.

Manuel Queiroz
in Público

Eles nao sabem que o sonho...

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

António Gedeão

quarta-feira, julho 05, 2006

Sem comentários...



Escancarem-se a rir! :p

Mercedes crashes into a Smart

LoOl

Perfect Parking

Luiz Felipe Scolari

Agastado e furioso foi assim que o brasileiro Luiz Felipe Scolari surgiu no final do encontro após uma derrota que não permitiu a Portugal chegar à tão desejada final de Berlim.

"Se existe uma vergonha para a América do Sul, aconteceu hoje. Foi uma excelente arbitragem. O árbitro fez direitinho o que queria fazer”, ironizou ‘Felipão’ no final do jogo dirigindo-se ao juiz da partida, o uruguaio Jorge Larrionda. “Portugal era um patinho feio no Mundial, estávamos a fazer força para permanecer na competição e tentámos fazer o golo até ao final, mas estava difícil. Há situações em que não é possível fazer diferente, fizemos o que foi possível. Não quero falar da arbitragem. Tentámos tudo para marcar, mas não conseguimos. A França marcou e ganhou”, reconheceu o seleccionador.

Sobre o jogo, Scolari considera que o resultado não foi justo. “Normal teria sido o empate e depois os penáltis, mas temos de dar os parabéns à França, que lutou com as armas que tinha”, concluiu ‘Felipão’. O técnico não deixou de elogiar os seus jogadores. “Éramos aquela equipa em que ninguém apostava. Tenho muito orgulho nestes atletas. Foram maravilhosos. Tentámos tudo para atingir a final. Chegámos onde há 40 anos não chegávamos”, afirmou.

ESQUECER A MELANCOLIA

Para Luiz Felipe Scolari, o momento é para esquecer a derrota com os franceses e fazer uma boa partida de despedida contra a Alemanha, no próximo sábado: “Amanhã [hoje] já vou ter de estar de boa cara para preparar o próximo jogo.”

“Vou trabalhar com o grupo agora. Vamos deixar passar toda esta melancolia, depois de estar a um passo e de não termos conseguido. Ainda podemos conseguir um terceiro lugar neste Mundial, o que também é muito interessante”, assegurou. O brasileiro espera muitas dificuldades no encontro do próximo sábado frente à Alemanha: “Vamos ter muitas dificuldades.” Sobre a final, Scolari, voltou a ironizar : “A França é favorita, se a Itália não abrir os olhos... Mas a Itália é forte, também fora das quatro linhas...”

CONTRATO ATÉ FIM DE JULHO

O brasileiro, que foi derrotado ao fim de 13 jogos em Mundiais, voltou a frisar que tem contrato apenas até ao próximo dia 31. “Ainda não há nada. Tenho contrato até ao final de Julho. Vou falar com o presidente e depois logo se vê”, concluiu.

MADAÍL DÁ PARABÉNS

Apesar de alguma tristeza patente no rosto, Gilberto Madaíl deu os parabéns à equipa das ‘quinas’. “O que sei é que dissemos e cumprimos. Portugal caiu de pé. Demonstrámos hoje [ontem] que o sonho podia ter-se tornado realidade”, afirmou o dirigente federativo. Madaíl já tem os olhos postos no 3.º lugar. “Vamos procurar um lugar de honra no próximo sábado”, afirmou o presidente da FPF. Sobre a arbitragem Madaíl não quis alongar-se. “Não posso falar mas vocês viram o que se passou”, concluiu.

UMA BELA BANCADA DE APOIO À SELECÇÃO

Os corações palpitavam acelerados ainda o jogo parecia distante. Mas naquela bancada, junto a uma bandeirola de canto, os familiares dos jogadores portugueses não escondiam natural nervosismo e ansiedade. Valeu, apetece dizer, a tranquilidade do senhor Osias, pai de Deco, como que a dar o exemplo a quem o rodeava.

Seria confiança ou aquela serenidade apenas aparência? A seu lado, outros familiares do ‘Mágico’ e, claro está Jaciara, a esposa, presente em quase todos os jogos da Selecção no Mundial. Cristiano Ronaldo foi dos mais aplaudidos.

O jovem madeirense tem dezenas de familiares na Alemanha e nenhum perde a oportunidade de ver Portugal. A irmã Kátia, o mano Hugo, os cunhados Zé e Edgar e alguns familiares provenientes da Austrália não faltaram à chamada.

Aliás, ainda antes do jogo passaram mesmo pelo Hilton Park, onde está hospedada a Selecção. Merche Romero, esperada em Munique, não conseguiu chegar a tempo – problemas para arranjar voo para uma vasta equipa do ‘Portugal no Coração’ estiveram na origem da ausência.

Mas apoio não faltou. Nunca. As esposas de, entre outros, Hugo Viana, Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Hélder Postiga, a mãe de Figo enfim, deram beleza à bancada.

in Correio da Manhã

Quando a chuva passar

Quando a chuva passar
Pra que falar?
Se voce não quer me ouvir
Fugir agora nao resolve nada

Mas nao vou chorar
Se voce quiser partir
Às vezes a distancia ajuda
E essa tempestade um dia vai acabar

Só quero te lembrar
De quando a gente andava nas estrelas
Nas horas lindas que passamos juntos
A gente so queria amar e amar
E hoje eu tenho certeza
A nossa historia não termina agora
Pois essa tempestade um dia vai acabar

Quando a chuva passar
Quando o tempo abrir
Abra a janela e veja: eu sou o sol
Eu sou ceu e mar
Eu sou seu e fim
E o meu amor é imensidão

Só quero te lembrar
De quando a gente andava nas estrelas
Nas horas lindas que passamos juntos
A gente so queria amar e amar
E hoje eu tenho certeza
A nossa historia não termina agora
Pois essa tempestade um dia vai acabar

Quando a chuva passar
Quando o tempo abrir
Abra a janela e veja: eu sou o sol
Eu sou ceu e mar
Eu sou seu e fim
E o meu amor é imensidao

Quando a chuva passar
Quando o tempo abrir
Abra a janela e veja: eu sou o sol
Eu sou ceu e mar
Eu sou seu e fim
E o meu amor é imensidao