terça-feira, janeiro 23, 2007

Quero ser um tipo normal...

Um destes dias fiquei preso, por vários momentos, a uma frase publicada na revista “Sábado”.

Questionada sobre o motivo que levou Fernanda Serrano a apaixonar-se por Pedro Miguel Ramos (seu marido), a actriz limitou-se a afirmar:

“Porque o Pedro é uma pessoa normal.”

Fiquei longos minutos a processar a informação. Por que é normal? Isso significa o quê? É exactamente isso: ser normal. Nada mais a acrescentar. Quer dizer que trabalha, chora e ama, pensa e come. Irrita-se, sorri e veste calças de ganga quando lhe apetece. Ou fato quando quer. Não é uma seca?! Não. Significa que em qualquer uma das situações, é sempre a mesma pessoa. E, de facto, esta é uma boa definição para pessoa normal, mas para tantas outras que simplesmente se limitam a ser o que realmente são e abdicam de representar o papel que a sociedade lhes quer impor. Veja-se, por exemplo, o caso de António Câmara. A maior parte dos portugueses não o conhece. Mas este professor universitário e empresário de enorme sucesso na área das tecnologias, vai provando dia após dia, que alcançar o sucesso não tem necessariamente de transformar a vida das pessoas. Interiormente claro está. Para quem não conhece a sua história, este empresário está hoje claramente, entre os 20 ou 25 empresários portugueses de maior sucesso em termos internacionais. A sua empresa trabalha sobretudo no mercado global e aí tem vindo a alcançar um estrondoso sucesso. Todavia basta assistir a um seminário deste indivíduo ou ler um dos seus artigos para perceber como é uma pessoa absolutamente verdadeira com os seus princípios. É aquilo a que se pode chamar um tipo simples, o que em Portugal quer dizer que não se desequilibrou com o sucesso e a fama (e claro o dinheiro) alcançados. Quem andar pelas ruas de Algés, num destes sábados de manhã, arrisca-se a vê-lo com a mulher (outra profissional de excelência) de sacos de compras na mão, a caminho de casa. Dirão neste preciso momento: e então isso não é bom? Claro que sim. Mas o problema é que, como sabemos, esse não é o padrão. À maior parte das pessoas basta terminar um curso superior ou comprar uma casa acima da média, ser promovido ou ostentar um carro novo, para olhar para os restantes seres do universo com um olhar superior. Sobranceiro, irritante. Por isso mesmo é sempre agradável reter que ainda existem pessoas normais. Aliás, um destes dias dei comigo a pensar como gostaria que, um dia, a minha mulher, os meus filhos, família e amigos me recordassem. E sabem, talvez um dia eu consiga (ou pelo menos faço para isso e gostaria...)que alguém me recorde dizendo “era um tipo normal".

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