A SIDA existe... Mesmo!
Ponto de Vista por Rui Pedro Batista
Sete longos dias. Violentos. Duríssimos. Ainda assim, recordo momentos de uma tremenda traquilidade. Uma semana, foi o tempo que separou a hora em que a colheita de sangue foi feita e o minuto que marcou a entrega do resultado. O teste foi ao HIV/SIDA.
Pensei, claro, o que faria, o que mudaria, se na folha branca, as letras se unissem numa palavra negra: Positivo. Não consegui concluir fosse o que fosse. Não chegaram os sete dias, as dezenas de horas sem dormir, a ansiedade. E acho que não chegava o resto da vida. Não se sabe. Porque no fundo nenhum de nós acha que um dia, quando menos esperar, pode receber essa sentença: o teste é positivo. Está infectado! E porque o envelope que me foi entregue - sem o meu nome escrito porque optei por fazer o teste num centro anónimo - era portador de uma boa notícia, nunca mais pensei no assunto. Até esta sexta-feira, em que se assinalou o Dia Mundial da Sida.
São dramáticos os números da doença. As pessoas notiicadas com o vírus da sida - HIV - em Portugal são 39461, dizem as estatísticas oficiais. Mas esse número deverá ser de 80000 mil devido ao défice de notificação. Bastava que fosse uma unica pessoa para ser um drama. Mas são mais infelizmente. Talve estes 80 mil. E muitos destes talvez nem saibam que carregam consigo uma arma letal. Que pode matar o próprio mas também infectar e matar os outros, inocentes, que um dia podem também fazer parte das negras estatisticas.
Parece demasiado frio inventariar o custo desta enfermidade. Mas há números que devem ser conhecidos. O tratamento destes doentes custa, ao Serviço Nacional de Saúde, 5004,7 mlhões de euros/ano, ou seja, cerca de 80413 euros por cada doente. E o pior é que morem no país quatro pessoas vítimas da doença por dia.
Se calhar neste momento, está prestes a deixar este texto e passar ao próximo post. No fundo, não há nestas linhas nenhuma novidade. Nenhuma notícia. è verdade. Infelizmente os dias mundiais têm essa dupla capacidade: de chamar a atenção para o problema, mas também paro nos tornar frios e distantes perante alguns dos dramas que nos rodeiam.
Conceda-me, no entanto, mais alguns segundos para que lhe possa contar um pormenor da minha experiência pessoal. No Centro de Aconselhamento e Detecção Precoce do HIV/Sida, onde fui receber o resultado, antes de mim foi atendido um outro homem. estava ifectado. Não retive as suas feições. Naqueles sítios tudo está feito para que os cruzamentos se evitem. Mas se um dia em me voltar a cruzar com aquele indivíduo ou com qualquer outro que esteja infectado, apenas espero ter a elevação de não o discriminar.
Tente fazer o mesmo. É o mínimo que podemos fazer.
in Metro, edição Lisboa







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